> Turismo
 boletim fale conosco  
Boletim

Fale conosco

Turismo
Terça, 12 de junho de 2007, 15h21 
Conheça Sevilha: o berço do flamenco
 
Raphael Kadushin
 
Últimas de Turismo
» CORREÇÃO: Garibaldi é a terra dos espumantes
» Informações úteis para quem deseja fazer a viagem
» Ciclismo na "Estrada da Morte" é aventura na Bolívia
» Site lista as 10 melhores cidades de praia do mundo
Busca
Busque outras notícias no Terra:
A primeira coisa que você percebe são os vestidos multicoloridos de flamenco e fiesta, expostos nas vitrines das lojas em Sevilha. Organizados em fileiras, enfeitados por estampas onde as bolinhas são maiores do que fichas de pôquer, eles não são apenas vestidos de festa: são a própria festa.

Veja também:
» Descubra o paraíso espanhol de Cádiz

E Sevilha é parecida com eles: o Metropol Parasol, um novo marco da paisagem urbana que inclui um mercado coberto e terraços panorâmicos, deve ser inaugurado em breve, e o renascimento de alguns bairros, como La Alameda, na região oeste, que concentra a vida noturna da cidade, significa que a longa festa sevilhana talvez esteja apenas começando.

Uma das capitais históricas da região de Andaluzia, localizada cerca de 530km a sudoeste de Madri, Sevilha se beneficiou de sucessivas ondas populacionais muçulmanas, judaicas e cristãs. Os invernos são geralmente amenos, e os verões escaldantes. O centro histórico, organizado em torno do bairro medieval de Santa Cruz, é facilmente acessível a pé, mas bairros menos freqüentados podem requerer um táxi.

As emoções do flamenco
"A dança flamenca é uma fusão de todas as culturas e raízes sevilhanas", diz Kurt Grotsch, curador do Museu de Dança Flamenca (http://www.museoflamenco.com), inaugurado um ano atrás. "As versões mais autênticas são encontradas nas peñas, clubes sociais de bairro, dedicados ao flamenco", ele aponta. Mas, sugere, "é possível pelo menos ter uma noção do espírito da dança na Casa Anselma (Calle Pages del Corro 49), dirigida por uma dançarina aposentada".

Outra opção é a Casa de la Memoria (Calle Ximenez de Enciso 28, em Santa Cruz), com shows curtos a preços de US$ 17, quase todas as noites.

"As cores dos vestidos do flamenco são seu guia para as quatro emoções flamencas essenciais", aponta Grotsch. "O vermelho é a paixão; o amarelo é a felicidade; o preto é a tristeza; e a sedução pode vir em quase qualquer cor".

Convivendo com os mestres da pintura espanhola
O Museo de Bellas Artes tem "uma das mais belas coleções de pintura barroca da Espanha", diz María Dominguez, que se aposentou recentemente de seu posto como diretora de restaurações do museu. Aos domingos, um mercado de artes monta suas barracas na praça arborizada diante do museu, onde se pode adquirir uma reprodução de El Greco a preços de pintor faminto.

Vista da cidade de uma altura abençoada
O marco mais visíveis, e mais irresistível, de Sevilha é a catedral, cuja construção foi iniciada em 1402 no local antes ocupado por uma mesquita mourisca. A igreja se tornou uma das maiores construções góticas do mundo, e uma das mais altas catedrais da Espanha. Suba os degraus de pedra na torre Giralda, que servia de minarete à mesquita original. Do topo, pode-se ver os luxuriosos jardins do palácio Alcazar, e as ruas estreitas e tortuosas de Santa Cruz.

Explore um bairro autêntico
Para capturar de maneira mais verdadeira a alma de Sevilha, é melhor deixar de lado o centro medieval da cidade e cruzar o rio Guadalquivir em direção ao bairro de Triana.

"Triana era o lar do flamenco, no passado, quando eu era menina", diz Tina Panadero, sobrinha de uma das mais célebres dançarinas de flamenco sevilhanas. Os ciganos que ocupavam o bairro deram lugar a boêmios mais endinheirados, porém a região continua a exibir fortes conexões com o passado.

As melhores lembranças de uma viagem a Sevilha podem ser adquiridas nas lojas de cerâmica de Triana, nas quais artesãos pintam pratos e lajotas em cores brilhantes. No imenso Mercado de Triana, na Plaza del Altozano, os vendedores ainda oferecem chorizo, frutos do mar pescados no dia e as mais suculentas laranjas da Andaluzia.

A febre da fiesta
Sevilha vive seu momento mais exuberante em abril, quando as celebrações da Semana Santa são sucedidas pela Feria de Abrila, com sua maratona de carruagens, festas a fantasia, paradas, bailes e touradas.

Viagem de carruagem pela Espanha
"Agora que tenho um filho, Fernando, venho sempre ao parque María Luísa", diz Mercedes Guinea, professora de inglês. "Pode-se alugar uma bicicleta ou fazer um passeio de carruagem, ou ainda, alugar uma carruagem em miniatura para crianças, puxada por um burro", conta María. O percurso mais popular das carruagens atravessa a grandiosa Plaza de España, onde painéis de lajotas coloridas representam as 48 províncias do país.

E não esqueça as tapas
A tradição é reunir alguns amigos e visitar uma sucessão de bares de tapas, experimentando os salgadinhos que formam o prato local mais conhecido. É possível organizar seu passeio de acordo com um bairro ou estilo específico. O Eslava (Calle Eslava 3-5), no distrito de La Alameda, uma região da moda, por exemplo, atrai pessoas interessada em roupas e que procura por tapas inovadoras, como as que combinam carne de primeira com batatas fatiadas e queijo cabrales. Os tradicionalistas preferem a Cerveceria Giralda (Calle Mateos Gago 1), alojada em um antigo banho turco da era mourisca.

* Raphael Kadushin é colaborador da National Geographic Traveler

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
 
National Geographic Traveler