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A viagem de inverno pode ser ainda mais enriquecedora se o roteiro focar a cultura local. Com isso, o passeio de férias pode se tornar uma rápida imersão ao modo de vida do lugar. Em Buenos Aires, a temporada conta com diversas opções para este tipo de passeio.
Divulgada como uma das atrações do ano, a mostra "Salvador Dalí, 100 años: 1904-2004" é uma das sensações entre os portenhos. Instalada no Centro Cultural Borges, nas Galerias Pacífico, no Centro, a localização tem facilitado a visitação. Antes de entrar, consulte os horários das visitas guiadas. São gratuitas e têm 1h de duração. Fazem parte do acervo quadros, litografias, esculturas e cerâmicas do artista espanhol com temas que vão desde os dez mandamentos até o sexo. Um dos destaques é a genial tela em que Dali retrata o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln apenas com formas geométricas. Só vale ser admirada à distância. Preste atenção nos painéis com muitas das polêmicas e auto-elogiosas frases do artista. Mais sobre o pintor? Fique por ali mesmo para um café no bar temático. É possível tomar um café assistindo a vídeos sobre o autor.
No mesmo local, os turistas ainda podem reverenciar o poeta chileno Pablo Neruda no evento que comemora o centenário de seu nascimento. São livros, cartas, fotografias, citações e vídeos originais. As exposições inéditas no Brasil ficam na cidade até o dia 22 de agosto.
Outro local para apreciar artes visuais é o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba). Comece o passeio pela fachada, pois a edificação por si só já merece uma visita. Erguido em 2001 no bairro de Palermo, tem o exterior revestido com pedra caliza e teto de vidro, permitindo grande incidência de luz natural.
O segundo piso abriga a mostra permanente ¿Arte Latino-Americana do Século XX¿. Tons creme e verde-maça revestem as paredes que exibem verdadeiras jóias, como "Abaporú", da brasileira Tarsila do Amaral, "Ramón Gómez de la Serna", do mexicano Diego Rivera, e "Auto-retrato com Macaco e Papagaio", da também mexicana Frida Khalo.
Quem aprecia arte não-convencional pode ver ainda no Malba a mostra "Contemporáneo 9. Vértigo", com obras interativas. A entrada é marcada por uma instalação com câmeras e um aparelho de TV que projeta os visitantes dentro de uma forma geométrica emoldurada por faixas pretas em paredes e tetos do museu. Não é raro ver um ou outro curioso petrificado, com olhos nervosos mirando as paredes. "Onde está essa câmera que me colocou dentro dessa obra?". A Contemporáneo 9. Vértigo permanece aberta até dois de agosto.
Não longe dali e com acesso gratuito está o maior acervo de artes visuais da Argentina e um dos principais museus da América latina: o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), na Recoleta. São 11 mil obras, a mais antiga data do século XII. O prédio foi construído em 1870 para a Casa de Bombas, a primeira unidade de tratamento de água da cidade, e desativado em 1928. Após reforma, foi inaugurado como o MNBA em 1933.
Para a visita, reserve uma tarde, prepare fôlego e não esqueça do mapa na portaria: são mais de 30 salas, quase não há bancos e não há luz natural. Além disso, é comum cruzar com turmas de colegiais barulhentos. A persistência vale a pena. Ali se pode apreciar esculturas de Rodin, e as telas "Moulin de Blute-Fin", de Van Gogh, "Amarillo y rosa" de Edgar Degas e "Mujer acostada" de Pablo Picasso, entre outras. Não há cafeteria no interior do Museu. A alternativa é atravessar a rua e optar por um na Praça da Recoleta.
No mesmo bairro, há o Centro Cultural Recoleta. A fachada denuncia a construção do século XVII, uma das mais antigas da cidade. O antigo solar abriga salas para exposição e espetáculos de artistas locais, livraria, cafeteria e oferece visitas guiadas.
No sul da cidade, no bairro da Boca, há opções para quem foge das grandes galerias. O Centro Cultural de Los Artistas, instalado em sobrados conjugados erguidos no final do século XIX, serve de base para pintores, artesãos, escultores e designers locais. Os alegres sobrados, revestidos com coloridas lâminas de ferro que cobriam os barcos atracados ali no passado, abrigam restaurante, salas de exposições e lojas de artesãos. Olhe para cima, o barato está nas altas paredes pintadas com motivos argentinos e nos bonecos que se apóiam nos balcões internos do centro.
O dia está ensolarado e não quer abrir mão dele? Calma, em Buenos Aires há opções a céu aberto. Na Plaza San Martín, no Centro, o fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand expõe a mostra ¿La Tierra vista desde el cielo¿. São dezenas de painéis com fotografias aéreas captadas em todos os continentes desde 1995. Bertrand democratiza a praça que lembra o herói da independência Argentina oferecendo, entre outros, uma vista geral da ilha de Veneza, tingidores em Marrocos, um cemitério de carros de combate no Iraque ou um popular conjunto habitacional de São Paulo.
À noite, há shows de tango genuíno e local na sala Alfonsina Storni do Gran Café Tortoni. A programação está ao lado da porta, e sábados há dois horários, com preços em torno de $ 20. A procura é grande, por isso chegue cedo ou reserve o lugar na véspera. No centenário café freqüentado por Jorge Luis Borges, sinta-se em casa. O turista pode fazer fotos durante o show, conversar com cantores e dançarinos após a performance, comprar o CD do espetáculo e ainda ganhar um autógrafo.
Preste atenção nas fotos de políticos e personalidade que visitaram o café. Depois, escolha uma mesa e aprecie os quadros, os vitrôs coloridos do teto, as colunas de madeira e o heterogêneo público. Apesar de ser uma das melhores opções entre os portenhos nativos, há jovens e senhores portenhos e da América do Norte, da Europa e da África.
Se preferir música clássica, os caminhos levam ao Teatro Cólon. Há recitais ou apresentações de dança quase todos os dias num dos mais grandiosos e luxuosos teatros de música lírica da América do Sul. Fique atento, pois a orquestra sinfônica na cidade realiza seguidas apresentações sem muito alarde.
Com o ingresso na mão, informe-se antecipadamente onde é a entrada, pois não há indicação nas portas. Algumas filas são formadas na rua, é bom ir agasalhado. Com sete andares e poucos elevadores, vá pela escada e aprecie os corrimões de madeira e o piso de mármore branco.
Se quiser conhecer mais sobre o local, faça uma visita guiada durante o dia. Com duração de 1h entrada paga, os visitantes podem conhecer o interior da edificação, camarins, salas de ensaio e figurinos das produções.
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