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Prédios "rendados" preenchem horizonte da Arábia |
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Gisele Lobato |
Situado na curva sul da península arábica, fazendo fronteira com a isolada Arábia Saudita e o ascendente Omã, o Iêmen é um dos berços da civilização e um dos mais tradicionais países do mundo árabe. Devido à fertilidade de suas terras - coisa rara em uma região onde quase tudo é deserto -, o país era conhecido pelo nome de Felix Arabia.
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Hoje uma pobre nação islâmica, ofuscada pela abundância de petróleo nos vizinhos, a "Arábia Feliz" já foi uma terra próspera. Essa história gloriosa deixou suas marcas, por exemplo, na capital Sanaa.
O centro velho de Sanaa é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Situada em uma vale, a uma altitude de 2.200 metros, a cidade é habitada há mais de 2.500 anos. Sanaa se tornou o principal centro de propagação do islamismo nos séculos VII e VIII, e entre os resquícios desse passado estão suas mais de cem mesquitas.
Além dos templos, a velha Sanaa possui souqs (mercados que vendem de temperos a tapetes), saunas públicas (as hammams) e pelo menos 6 mil casas, todas construídas antes do século XI. O estilo arquitetônico é bastante peculiar: a cor é a mesma terracota que pinta outras cidades do mundo árabe, como Marrakesh, mas os edifícios-torres são decorados com desenhos brancos que parecem renda.
Esses prédios são considerados os primeiros "arranha-céus" do mundo, alcançando até oito andares. No topo das casas, fica o mafraj (literalmente, "quarto com vista"). Nele, os contornos da cidade podem ser apreciados pelas janelas decoradas com vidros coloridos. Lá embaixo, homens de turbante e barba conversam sentados pelas ruas, enquanto os olhos fugidios das mulheres espiam por detrás dos pesados panos negros.
O momento, porém, não é o mais propício para fazer as malas e se aventurar entre as muitas maravilhas iemenitas. O país é considerado o maior reduto da Al Qaeda na península arábica e, recentemente, tem sido palco de ataques contra turistas. É verdade que os esforços antiterroristas do governo são reconhecidos internacionalmente, mas o jeito é acompanhar o noticiário, esperar que a poeira baixe e torcer para o Iêmen voltar a ser a parte mais feliz das arábias.
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Especial para Terra
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