Três vezes por semana, pouco depois das 7h, a estação de trens de Salta, no noroeste argentino, se transforma em uma pista de decolagem. Nada de aviões: é mesmo uma locomotiva que levanta vôo aqui para um tour pelas alturas dos Andes.
O Tren a las Nubes (Trem para as nuvens, em tradução literal) é uma linha turística que faz um percurso circular de aproximadamente 15 horas. Nos últimos anos, ela ficou interrompida durante alguns períodos, voltando à ativa em agosto de 2008 - embora o site da operadora aponte no momento uma paralisação para reparos devido a chuvas fortes.
Problemas a parte, quem embarca terá uma viagem inesquecível e cheia de adrenalina para contar depois. Para superar os acidentes geográficos do terreno, o ziguezague é permanente. No total, o trem passa por 29 pontes, 21 túneis, 13 viadutos e duas espirais.
Enquanto vai vencendo esses desafios que tiram o fôlego dos passageiros, duas coisas vão acontecendo lá fora. Primeiro, na paisagem, que vai se adaptando à mudança do clima subtropical para o semidesértico e o desértico. As montanhas áridas se pintam gradualmente em diversas cores, refletindo a diversidade mineral do solo.
A segunda alteração é a de altitude: Salta está 1.187 metros acima do nível do mar, mas o trajeto alcança os 4.220 metros, quando começa o percurso de volta. O ponto alto da viagem ocorre em um viaduto chamado La Polvorilla, no quilômetro 1.350 da ferrovia. Essa maravilha da engenharia se projeta sobre o abismo, com 224 metros de comprimento e 70 de altura, provocando assombro e encantamento em quem se atreve a viajar, literalmente, até as nuvens.
O funcionamento do trem deve ser retomado em maio. Saiba mais pelos sites: www.argentinaturismo.com.ar/saltacapital/trendelasnubes.php e www.trenalasnubes.com.ar.