> Turismo
 boletim fale conosco  
Boletim

Fale conosco

Turismo
Segunda, 11 de maio de 2009, 11h49  Atualizada às 12h01
Expovinis divulga os 10 melhores vinhos por categoria
 
Carlos Alberto Barbosa
Especial para o Terra

 
Carlos Alberto Barbosa/Especial para Terra
Fernando Malaquias trouxe o vinho Longa à Expovinis
Últimas de Turismo
» Site aponta 10 melhores destinos para viajantes geek
» La Mamounia é lendário e luxuoso hotel de Marrakesh
» Conheça cinco dos maiores cassinos do mundo
» Praga para amar e escutar, para ver e para andar
Busca
Busque outras notícias no Terra:
A 13ª. edição da Expovinis, maior salão internacional do vinho da América Latina, divulgou um ranking dos melhores divididos em 10 categorias. Quase duas centenas de vinhos concorreram para abocanhar a condição de melhor exemplar de sua categoria. O evento que ocorreu entre os dias 5 a 7 de maio, em São Paulo, contou com 13 jurados para a degustação e avaliação dos exemplares enviados pelos expositores. Tudo feito às cegas, ou seja, ninguém do júri soube marca ou produtor de qualquer um dos vinhos avaliados.

» Veja aqui o Top 10

Este ano o júri, coordenado por Jorge Lucki e José Ivan Santos contou com a participação de críticos e especialistas como Gerson Lopes, do Blog Vinho e Sexualidade; Gustavo de Paula, Presidente da ABS-SP; Jorge Carrara, colunista da Folha de São Paulo e Prazeres da Mesa; José Maria Santana, colunista da revista Gula; José Luiz Pagliari, da SBAV-SP e Senac SP; Manuel Beato, Sommelier do Grupo Fasano; Marcelo Copello, colunista da Gazeta Mercantil e editor da revista Adega; Marcio Oliveira, da SBAV-MG; Mauro Celso Zanus , degustador da Embrapa; Nuno Vaz Pires,enólogo e diretor da publicação portuguesa Wine; Ricardo Farias, da ABS-RJ; Roberto Gerosa, da VEJA, e a inusitada presença de Dirceu Vianna Junior, o único brasileiro a ostentar o cobiçado título de Master of Wine.

O resultado final revelou cuidado na apuração e escolha dos eleitos, além de render ainda dois acertos de contas com o passado, uma justa homenagem e uma injustiça. Explico. Na categoria Melhor Tinto Nacional levou o prêmio o vinho Talento 2005, da vinícola Salton. Antes da entrega do certificado, Jorge Lucki, organizador do concurso, lembrou o falecimento recente e prematuro de Ângelo Salton, responsável direto pela introdução da linha de vinhos finos na vinícola da família que ele presidiu até o dia de sua morte. Jorge Lucki lembrou a luta de Ângelo Salton não só pela qualidade dos vinhos da vinícola que leva seu sobrenome, mas como ele prezava e levava à diante a batalha pela necessidade de aprimoramento constante do vinho nacional. A premiação do Talento 2005 acabou assim rendendo também uma homenagem à Ângelo Salton.

Os acertos de contas com o passado foram dois. O primeiro deles é talvez mais caro aos consumidores paulistas, em meio aos quais o nome do enólogo chileno Pablo Morandé andou meio esquecido. Seu Terrarum Reserva 2007 levou a premiação de melhor Chardonnay. Com um terço do vinho estagiando seis meses em carvalho francês, esse chardonnay de cor amarela com reflexos dourados revela na boca uma madeira equilibrada, sem exageros, evitando assim encobrir seu delicioso leque aromático.

Pablo Morandé é a quinta geração de uma família de viniculturos chilenos. Em 1982 ele foi pioneiro ao plantar vinhedos no Vale de Casablanca, o que mostrou ser uma decisão acertada. Basta ver o número de vinhas de outros tantos produtores chilenos que se instalaram depois dele na região. Na década de 90 seus vinhos chegaram ao Brasil, mas logo tornaram-se raros nas lojas paulistas, podendo ser encontrados com maior facilidade fora do Estado. Agora, de volta ao mercado de São Paulo pelas mãos da importadora Carvalhido, seus vinhos voltam a aparecer nas lojas especializadas. Pablo Morandé explica que "o Brasil é hoje o quarto ou quinto mercado da vinícola, mas já foi o segundo". A volta da distribuição de seus vinhos em São Paulo é um importante passo para alcançar este objetivo, e a premiação na Expovinis 2009 acaba por mais uma vez apontar a importância e expressão de seus produtos.

O segundo acerto de contas da premiação traz uma marca de justiça no próprio nome do detentor de melhor vinho na categoria Doce (licorosos e fortificados). É o vinho português da Ilha da Madeira, o Justino's 10 anos, importado pela Casa Flora/Porto a Porto. Ao anunciar o vencedor Jorge Lucki lembrou que os vinhos da Madeira são frequente e erroneamente tomados como vinhos menores, o que efetivamente não são. Nas suas palavras, são "vinhos para especialistas". O Justino's 10 anos traz com propriedade o vinho Madeira para o podium, com sua cor âmbar e marcante aroma de mel e frutas em passa, que dançam tranquila e longamente entre a boca e o nariz.

Por fim a injustiça. Não foi uma injustiça da premiação propriamente dita, mas ela revelou outra forma de injustiça: com o consumidor. O melhor tinto do velho mundo foi o alentejano português Vinha Longa Reserva 2006, da Encostas de Estremoz. Você já ouviu falar no produtor e seus vinhos? Não se surpreenda se sua resposta foi negativa. Ele não tem importador no Brasil. O vinho chegou a terras brasileiras à procura de importador pelas mãos do Sr. Fernando Malaquias e da Associação Empresarial de Portugal, que desembarcou com um estande na Expovinis. O vinho foi inscrito na competição e faturou a primeira colocação de sua categoria. O Vinha Longa é um vinho vivo, com acidez presente, notas florais no nariz, toque mentolado e um leve tabaco. Um belo vinho que, esperamos, justiça seja feita aos consumidores brasileiros para que logo tenham a oportunidade de adquiri-lo aqui, além mar.
 

Especial para Terra