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Segunda, 25 de maio de 2009, 08h13 Miami oferece lazer e diversão para todo tipo de turista |
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Denise Bobadilha |
Houve um tempo, lá pelos anos 90, que a menção do nome Miami evocava mau-gosto. A cidade era associada a políticos marajás, fugitivos e gente que torrava dinheiro demais em compras fúteis. Miami, porém, superou essa imagem - a mais colorida e festiva das cidades norte-americanas recebe hoje todo tipo de visitante, dos jovens baladeiros aos senhores fãs de cruzeiros; das moças loucas por compras aos executivos adeptos da alta gastronomia; dos aficionados por design moderno aos nostálgicos que suspiram pelo art déco.
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Miami é tão democrática que nela vive a maior quantidade de cubanos fora de Cuba no mundo. Os latinos realmente dominam a cidade - e milhares de brasileiros estão entre eles. Mas, se no passado a salsa dava o tom nas ruas, hoje as batidas eletrônicas são predominantes. A cidade exporta alguns dos melhores DJs do mundo e abriga festas memoráveis, que agradam tanto adolescentes em férias como gays do mundo inteiro. South Beach é o ponto de encontro para todas as turmas. Nas avenidas mais próximas da praia, como a Ocean Drive e a Collins Avenue, pipocam bares e casas noturnas de estilos variados.
É também nessa região que a arquitetura de Miami é mais marcante, com suas belas construções em art déco - movimento que abarcou várias tendências de arte moderna nos anos 20 e 30. Durante muitas décadas, esses imóveis eram locais de férias de casais aposentados que vinham de todo o país atrás de sol. Senhores se abanando em varandas em tom pastel eram o cartão-postal local, até que a vocação para colônia de repouso acabasse se transferindo para outras cidades da Flórida mais calmas e baratas. E a metrópole norte-americana com um pé no Caribe se viu liberada para as novas gerações.
Miami, hoje, quase não dorme. As construções antes decadentes mantiveram os tons pastéis, mas agora abrigam hotéis, lojas e restaurantes da moda, se alternando com construções modernas, assinadas por nomes como Phillippe Starck. São lugares frequentados por Beyoncé, Madonna, Tom Cruise e Bill Clinton, entre centenas de famosos do mundo inteiro - a quantidade de paparazzi na porta de um estabelecimento é indicativa do calibre da celebridade que lá se diverte.
Para correr o risco de cruzar com alguma celebridade, um bom lugar é o calçadão à beira-mar, a grande passarela de anônimos e famosos de Miami. Sob a sombra das palmeiras, o desfile de tipos acontece o dia todo e se intensifica a partir do final do tarde - hora de apreciar um mojito num dos muitos bares da Ocean Drive. No final da avenida, perto da casa onde Gianni Versace viveu e foi assassinado em 1997, o ponto de encontro é dos gays. Mas Miami, como já foi dito, é democrática: as tribos se misturam sem preconceito.
Ainda em South Beach, é possível curtir outro tipo de espetáculo, e de graça: o South Pointe Park, pedaço onde muitos se reúnem para jogar vôlei de praia e futebol (futebol de verdade, por influência dos latinos), é o melhor ponto para assistir aos enormes navios partindo para cruzeiros no Caribe e na América Central.
Esses navios zarpam de um porto que parece ficar "no centro" da cidade graças à peculiar geografia de Miami. Ali, o oceano entra pelo continente na forma de canais, fazendo com que bairros pareçam ilhas no meio da cidade. Com isso, houve a necessidade de um planejamento urbano diferente, com pontes e avenidas sobre o mar. Entre os mais abastados, há quem se movimente pela cidade utilizando na mesma proporção seu barco e seu carro.
Além de South Beach
Com tanto mar à vista, dirigir por Miami é uma delícia, mesmo com o trânsito carregado de algumas vias - que não chega, nem perto, a um congestionamento em São Paulo, por exemplo. O carro é indispensável na cidade, já que o transporte público, como em geral acontece nos Estados Unidos, é complicado e não indicado para turistas. Com o carro alugado, vale a pena explorar além de Miami.
Na direção norte, a estrada A1A segue à beira-mar até Fort Lauderdale, passando por diversos malls (como são chamados os shopping centers no país). Alguns quilômetros depois, chega-se ao milionário balneário de Palm Beach, onde dá para ver de longe as mansões fabulosas estendidas a um passo do mar e, de perto, algumas das vitrines mais caras do mundo. Se pegá-la no sentido sudoeste, a estrada cruza pequenas ilhas (chamadas de "keys", ou "cayos") até chegar à charmosa cidade de Key West, na extremidade sul do país, que quase encosta em Cuba.
Outro lugar para também "quase encostar" em Cuba é no bairro de Miami onde essa comunidade se faz mais presente: Little Havana. A cultura cubana está espalhada por toda a cidade, mas é ali que estão suas raízes mais profundas, traduzida em restaurantes baratos, barbearias e escolas de salsa. Não é dos pedaços mais charmosos da cidade, mas sim dos mais curiosos.
Também estranho à primeira vista, o Design District deu nova vida a uma série de galpões abandonados. Escolas e ateliês de design, artistas plásticos e qualquer tipo de nova tendência em artes visuais encontram endereço aqui. À noite, o bairro ferve, com bares e restaurantes que lembram os mais descolados de Nova York.
A área central da cidade, Downtown Miami, repete o padrão de outras metrópoles norte-americanas, com seus grandes arranha-céus espelhados e o movimento de executivos e seus blackberries. Há pouco para se ver aqui, a não ser que você queira provar algum dos vários restaurantes de alta gastronomia com endereço na região. São tantos prédios que nem parece que, a poucos quilômetros dali, o oceano e seu entorno convidam para uma festa sem fim. Nem parece, também, que essa é a mesma Miami de alguns anos atrás. Ainda bem.
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Especial para Terra
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