Muitos surfistas dizem que seu esporte é um estilo de vida. Talvez seja por isso que os aficionados pelo surfe procurem praticá-lo nas circunstâncias mais incomuns. Nem a grande distância do mar atrapalha quem deseja encarar as ondas diariamente: o rio St. Lawrence em Montreal, no Canadá, é um dos pontos mais conhecidos para o surfe em água doce.
Os surfistas canadenses se encontram em frente ao Habitat 67 - peculiar conjunto habitacional construído em 1967. Para chegar ao local certo do rio, é comum pegar carona com pequenos barcos e ser puxado por uma corda, enquanto os mais dispostos vão remando em suas pranchas. Lá, as ondas chegam a mais de um metro de altura, devido ao relevo do St. Lawrence.
A origem das ondas do rio de Montreal faz com que o surfe na região pareça estranho para quem está acostumado com a água salgada: por causa da depressão no fundo do St. Lawrence, a água bate e forma uma onda constante que não se desloca pelo rio, levando os surfistas a fazerem suas manobras sempre no mesmo lugar.
A técnica do surfe em água doce vem se desenvolvendo desde 1955. Ao lado de Montreal, outros lugares se tornaram pontos mundialmente conhecidos do esporte, entre eles Munique, na Alemanha e o rio Amazonas, favorecido pela "pororoca" - encontro das águas do rio com o Oceano Atlântico. O sucesso do esporte faz com que novos rios sejam encontrados pelos surfistas em diferentes países: Estados Unidos, Suíça e até Marrocos já estão nas rotas de quem prefere essa modalidade ou não tem como praticar o surfe tradicional.