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Um lago chamado Baikal e um homem chamado Rashit
 
Elaine Aguillera
 
Arquivo Pessoal/Ricardo Dias/Especial
Um lago que aparece um oceano
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Conhecido como a "Pérola da Sibéria", o Baikal impressiona por sua dimensão e pelas águas cristalinas. Num passado remoto, o lago formou-se após uma colisão de duas placas tectônicas, tem 2 km de profundidade, mais 7 km de sedimentos. É praticamente um oceano.

Para melhor conhecê-lo, é imprescindível conhecer também o homem que tem mais intimidade com a região: o lendário Rashit Yahin.

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Ricardo fez o primeiro contato com ele ainda no Brasil. Mandou um e-mail explicando ao russo seu desejo de conhecer a região e perguntando se ele topava ser seu guia de viagem no lago Baikal. Passaram-se dias e nada de respostas. Fez mais uma tentativa. Desta vez, resolveu começar a escrever em russo e terminar em inglês. Alguns dias depois, recebeu uma lacônica resposta: YES.

Já em Severobaikalsk, ligou para o guia para tentar encontrá-lo. A conversa foi esquisita. Rashit falava algo entre o inglês e o russo, quase ininteligível. A frase mais clara que Ricardo ouviu foi: "Venha a minha casa". Ele foi.

Lá encontrou um homem velho, debilitado por um derrame, mas com postura e voz firmes. Ele jogava xadrez na internet, olhou para Ricardo e perguntou; Quem é você? Por que está aqui? O brasileiro tentou novamente explicar que já havia entrado em contato com ele e que estava lá para conhecer o Baikal.

Desconfiado, mas convencido do desejo do brasileiro, Rashit informou que ia levá-lo a uma "expedição" juntamente com um casal de belgas. Informou que iriam pegar caiaques e partir. Ricardo tentou, em vão, argumentar que queria apenas conhecer a região de maneira tradicional, mas nada demoveu o russo desta idéia. Para surpresa de Ricardo, o casal de belgas também queria um passeio mais "básico". De nada adiantou a argumentação dos três. O guia estava decidido a fazer o que tinha planejado.

A idéia só não foi em frente porque após a chegada de um policial em sua casa, Rashit ficou sabendo que havia acontecido um crime na região - com duas mortes - e que aquela expedição não poderia acontecer.

Para alívio do brasileiro e dos belgas, o roteiro seguiu um padrão mais normal, mas não menos impressionante, com direito a banho nas águas gélidas dos rios da região.


 

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