| Ricardo Stricher/Divulgação |
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| Theatro São Pedro |
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A capital gaúcha é uma das mais importantes cidades brasileiras, mas, curiosamente, conserva um ar de cidade pequena que só agora, no início do século XXI, começa a dissipar-se. Porto Alegre, um dos fortes pólos culturais da Região Sul do Brasil, luta para crescer cada vez mais e concretizar o antigo ideal de tornar-se a capital cultural do Mercosul.
» Fotos: Uma capital cultural
Ao que parece, a cidade está neste caminho, em parte devido à posição geográfica dentro do Mercosul, atualmente ameaçado pela instável situação sócio-econômica da Argentina, e em parte pelo Fórum Social Mundial, que há quatro anos (uma das cinco edições ocorreu na Índia) reúne milhares de pessoas de todo o mundo no município, dando um aspecto cosmopolita à cidade e ampliando os horizontes cultural, étnico e social da população.
Conforme o secretário municipal de Cultura de Porto Alegre, o professor de literatura e escritor Sergius Gonzaga, o ideal de a cidade tornar-se a capital cultural do Mercosul já foi mais evidente. O problema seria o abalo que o bloco econômico sofreu com o enfraquecimento da Argentina. No entanto, cita projetos de reformulação urbana com foco nas artes como pontos positivos na retomada da idéia.
"A questão geográfica, no meio termo entre Rio, São Paulo, Montevidéu, Buenos Aires e Assunção é forte. Mas o enfraquecimento do Mercosul nos últimos anos gerou um certo desinteresse do público sobre essa questão. De qualquer forma, a revitalização do centro da cidade, mesmo que parcialmente, daria uma nova configuração para Porto Alegre", acredita Gonzaga.
"A cidade está na iminência de, nos próximos anos, ter um grande incremento na questão cultural. Isso significa mudanças concretas, passando pela revitalização do Cais do Porto, que é um questão nuclear. Terá atividades comerciais, de lazer e gastronomia auto-sustentáveis", afirmou.
Gonzaga disse que no projeto Monumenta, a Prefeitura e governo do Estado se responsabilizam por restauração de locais e monumentos públicos enquanto a Caixa Econômica Federal abre uma linha especial de crédito para proprietários de casas tombadas para que sejam feitas reformas.
O secretário citou ainda a recuperação da Praça da Alfândega, no centro, onde anualmente é instalada a Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento do tipo realizado ao ar livre na América Latina, e a possível volta de um bonde na mesma área, com fim estritamente turístico-cultural. Em dois ou três anos, deverá sair do papel um projeto da Caixa Econômica Federal para resgatar o Cine Teatro Imperial Guarany, na mesma praça.
Além disso, a Secretaria Municipal de Cultura está tentando obter um grande casarão em frente ao Solar dos Câmara, perto da Praça Marechal Deodoro, onde se encontram o Palácio Piratini, sede do governo, a Assembléia Legislativa do Estado, a Catedral Metropolitana, a Biblioteca Estadual, e o Theatro São Pedro. No casarão, deverá ser instalada a Pinacoteca Municipal, que abrigará o acervo e exposições contínuas. Atualmente, o antigo cinema Capitólio, na Avenida Borges de Medeiros, está em reforma para abrigar exposições provisórias da Pinacoteca.
Complexos culturais descentralizados
Conforme Gonzaga, os projetos culturais não são restritos ao centro da cidade. Nos próximos anos, a capital gaúcha deverá ganhar novos centros de cultura em diferentes pontos da cidade.
Entre os mais importantes está a instalação de um Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), como os que existem em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além de Porto Alegre, Belo Horizonte também disputa o projeto. "A decisão será técnica ou política. Tecnicamente, acho que Porto Alegre oferece as melhores condições. Faremos uma mobilização entre ministros para trazer o complexo cultural. Seria instalado no Cais do Porto", afirmou o secretário.
A Secretaria de Cultura também tenta liberar recursos para as obras de reforma do Teatro da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e para a construção do Complexo Cultural Total, a ser erguido na área do Shopping Total. O complexo terá três museus e um teatro, "e a promessa formal do empreendedor de que a Prefeitura terá mais duas salas de espetáculos, uma de música e outra de teatro", explicou Gonzaga.
Museu Iberê Camargo
Entre projetos tão significativos, a construção do Museu Iberê Camargo, que deve ser finalizada até o final do ano, é seguramente um dos mais importantes. Assinado" que respeitará a ecologia e seguirá exigências museológicas internacionais, será referência internacional.
O prédio em concreto branco, que refletirá todas as tonalidades do famoso pôr-do-sol da cidade, à beira do Guaíba, abrigará um acervo de aproximadamente quatro mil peças do artista plástico gaúcho. Haverá exposição permanente das obras de Iberê, mostras temporárias, espaço para seminários e pesquisa sobre a produção artística contemporânea.
Carente de belezas naturais comuns em outras regiões do Brasil, a saída para o turismo em Porto Alegre é mesmo o fator cultural, seu ponto mais forte.
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